segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
da dupla verdade das imagens
Obsessão (Ossessione, 1943), de Luchino Visconti.
E depois ainda há aquela cena, em que Gino perde a luta quase ganha, para que o plano (um deles? o mesmo? ai...) se conclua num beijo.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
o cristo cigano
O destino eram
Os homens escuros
Que assim lhe disseram:
- Tu esculpirás Seu rosto
de morte e agonia.
in O Cristo Cigano, de Sophia de Mello Breyner Andressen
Ao que se acrescenta:
- Tu matarás.
E matou, com a mesma faca que ainda hoje atravessa a história.
Os homens escuros
Que assim lhe disseram:
- Tu esculpirás Seu rosto
de morte e agonia.
in O Cristo Cigano, de Sophia de Mello Breyner Andressen
Ao que se acrescenta:
- Tu matarás.
E matou, com a mesma faca que ainda hoje atravessa a história.
há muitas maneiras de matar
Mas eis que a imagem do sofrimento nasce das suas próprias mãos em frente do homem que ele próprio matou. Porque se virarmos a cara ao sofrimento, a vaidade da felicidade perfeita nos levará à monstruosidade e ao crime. Há muitas maneiras de matar. É no sofrimento que o escultor vê aparecer a imagem que ele procurara em vão na manhã e nos campos. A imagem que, para além de todo o erro e pecado, está inscrita na pessoa humana.
disse-o Sophia, a propósito d' O Cristo Cigano.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
ainda da pornografia
Concluiu desejando felicidade. Disse algo do género:
- Minhas senhoras, meus senhores, os noivos merecem felicidade; logo, serão felizes.
O que significava:
«Falo por falar.»
in Pornografia, de Witold Gombrowicz
"Nada, a não ser a minha pornografia que deles se alimentava!"
Repito: tudo isso se passou numa questão de segundos. E, na verdade, nada se passou, porque nós estávamos ali pura e simplesmente especados. Apontando com o dedo para as calças de Karol, um pouco compridas de mais e a roçar a terra, Fryderyk disse:
- É preciso dobrar as pernas das calças dele.
- É verdade - concordou Karol, inclinando-se.
- Espere, espere um instante - avançou Fryderyk.
Via-se que não lhe era fácil exprimir o que queria dizer. Colocou-se de lado para eles, olhando em frente, e com voz rouca mas muito clara sugeriu:
- Não, espere! Ela que lhe faça uma dobra nas pernas das calças!
E repetiu:
- Ela que lhe faça uma dobra nas pernas das calças!
Era indecente. Era como se estivesse a assediá-los. Era como confessar o seu desejo de que eles se excitassem: façam-no, que assim vão agradar-me; este é o meu desejo...
Ele estava a iniciá-los na esfera do nosso desejo, daquilo com que nós sonhávamos para eles. Por um segundo, o silêncio deles revoluteou e, por um segundo, aguardei o resultado do descaramento de Fryderyk. O que a seguir se passou foi simples, dócil e fácil, tão «fácil» que quase fiquei com vertigens, como se um abismo se tivesse silenciosamente aberto a meus pés.
Ela não disse nada. Apenas se agachou e fez-lhe uma dobra nas pernas das calças. Ele, por sua vez, nem se mexeu. O silêncio dos seus corpos era absoluto.
in Pornografia, de Witold Gombrowicz
The Forest Lake
Nos versos de Edith Södergran, e da inevitável oposição do novo homem, que ascende num impulso vital, à realidade apartada de quem o cria.
I was alone on a sunny shore
by the forest’s pale blue lake,
in the sky floated a single cloud
and on the water a single island.
Ripe summer’s sweetness dripped
in pearls from every tree
and into my opened heart
a little drop ran down.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
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