domingo, 27 de outubro de 2013
sábado, 26 de outubro de 2013
se se é novo
"O seu passo miúdo apressa-se: amanhã tudo vai mudar, amanhã. De repente descobre que o amanhã será semelhante, e depois de amanhã, todos o outros dias. E a irremediável descoberta esmaga-o. São ideias como esta que nos fazem morrer. Há quem se mate por não poder suportá-las - ou, se se é novo, fazem-se frases a seu respeito."
Albert Camus, O Avesso e o Direito, "A Ironia", Edição «Livros do Brasil» Lisboa, p.41.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
um verdadeiro bico-de-obra
"«Nenhum artista pintará o seu quadro, nenhum general ganhará a vitória, nenhuma nação atingirá a liberdade» sem esse horizonte, sem amar o que faz «muito mais infinitamente do que isso mereça ser amado».
Mas é precisamente a nossa consciência histórica que torna esse amor impossível. A história ensina-nos que houve no passado uma infinidade de horizontes - civilizações, religiões, códigos éticos, «sistemas de valores». Os povos que os possuíam, faltando-lhe a nossa moderna consciência histórica, acreditavam que o seu horizonte era o único possível. Aqueles que vivem na idade avançada deste processo, aqueles que vivem na idade avançada da humanidade, não podem ter uma visão tão pouco crítica. A educação moderna, essa educação universal absolutamente essencial para preparar as sociedades para o moderno mundo económico, liberta os homens das suas amarras à tradição e à autoridade. Eles sabem que o seu horizonte é apenas isso, não a terra firme, mas uma miragem que desaparece com a aproximação, dando lugar a um outro horizonte. É por isso que o homem moderno é o último homem, exausto pela experiência da história e desenganado quanto à possibilidade de uma experiência directa de valores.
Por outras palavras, a educação moderna estimula uma certa apetência para o relativismo, isto é, para a doutrina que enuncia que todos os sistemas de valores são relativos ao tempo e ao lugar, não sendo nenhum deles verdadeiro, mas sim reflexo de preconceitos ou interesses dos seus proponentes. A doutrina que sustenta não existirem perspectivas privilegiadas ajusta-se lindamente ao desejo do homem democrático de acreditar que o seu modo de vida é tão bom como qualquer outro. Neste contexto, o relativismo não leva à libertação dos grandes e poderosos, mas dos medíocres, a quem é agora dito que nada têm de que se envergonhar."
Fukuyama, Francis, O Fim Da História E O Último Homem, gradiva, 1ª ed., p. 296-297.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
back to the 80's
"Soul Mining", do álbum Soul Mining, 1983, by The The.
Something always goes wrong
When things are going right
You've swallowed your pride
To quell the pain inside
Someone captured your heart
Like a thief in the night
And squeezed all the juice out
Until it ran dry
When things are going right
You've swallowed your pride
To quell the pain inside
Someone captured your heart
Like a thief in the night
And squeezed all the juice out
Until it ran dry
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Audrey
A escolher, teria certamente de concordar com Jacques Doniol-Valcroze, quando a dada altura afirmou, a propósito de fascínios com actrizes, "Audrey Hepburn, c’est moi".
terça-feira, 1 de outubro de 2013
enfado ado ado ado
"Existem pessoas para as quais o que de mais valioso têm na vida é alguma doença do corpo ou da alma. Passam pela vida com essa doença e só vivem através dela; sofrendo, alimentam-se dela, queixam-se dela aos outros e, assim, atraem a atenção dos amigos. Obtêm a compreensão dos outros e, excepto isso, mais nada têm. Tirem-lhes essa doença, curem-nas e elas tornar-se-ão infelizes, porque lhes faltará o seu único meio de vida - tornar-se-ão vazias. Por vezes, a vida de um homem é tão vazia que ele se vê constrangido a valorizar o seu defeito e viver através dele, sendo possível dizer que muitas vezes os homens se tornam maus apenas por enfado."
Máximo Gorki, vinte e seis e mais uma, Estrofes & Versos, 1ª ed., Setembro de 2010, p. 26.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Vai, Vai Virgem Pela Segunda Vez
Vai, Vai Virgem Pela Segunda Vez (1969), de Kôji Wakamatsu.
"A cor em Wakamatsu sinaliza amiúde o trauma e o trauma é frequentemente sinalizado pelo sexo. Ele e ela tornam-se cúmplices mais que amigos, porque, como vamos percebendo, nenhum dos dois acredita na amizade, tal como nenhum dos três – e já estou aqui a incluir o realizador, Kôji Wakamatsu – acredita verdadeiramente no amor. É preciso dar um salto, “sair do filme”, para que uma relação – mais que uma cinzenta cumplicidade – se possa gerar entre os dois. A vingança acontece sem sentimento de vingança, porque isso – o “sentimento” – implicava esperança em qualquer coisa, pelo que Vai, Vai Virgem… também não é uma obra sobre um crime e o seu payback moral. Quer dizer, usando aqui uma terminologia barthesiana, dir-se-ia que o seu studium talvez se reduza a isso, mas o seu punctum reside por inteiro no último plano em que ela e ele estão juntos, estendidos na estrada, apenas separados por um traço contínuo que, numa linguagem de descodificação simbólica, diríamos que representa o tempo, “aquilo ” que o casal – e a sua “força revolucionária” terá sido essa – conseguiu romper além-vida."
O texto é daqui.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
de Vico e do Anticartesianismo
"(...) atacou o pressuposto cartesiano de que o critério da verdade é a ideia clara e distinta. Salientou que, efectivamente, este não passava de um critério subjectivo ou psicológico. O facto de eu considerar as minhas ideias claras e distintas só prova que eu acredito nelas, mas não prova que são verdadeiras."
Collingwood R. G., A Ideia de História, Editorial Presença, 9ª edição, 2001, p.83.
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