domingo, 21 de julho de 2013

esperar

Uma pessoa continua porque espera chegar a algum lugar melhor do que este. Mas o pior é que é esta espera que mata. E assim se continua esperando, enquanto se mantém a esperança que, na verdade, sabe-se lá bem se nos faz aqui continuar ou avançar. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

The Electric side of Freddie Hubbard



Ku-Umba and Frank Lacy, The Electric side of Freddie Hubbard 1/2.
Live at JAZZ A VIENNE festival 2009. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Silver Fishes

Hoje, enquanto me passeava pelo Tate Modern Museum, estremeci, entre muitas outras obras colossais, com as de Max Ernst. 


Celebes (1921), Max Ernst.



The Entire City (1934), Max Ernst.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Tu n'as rien vu à Hiroshima...






Hiroshima, mon amour (1959), de Alain Resnais

Life



"Life", álbum The Last Time I Did Acid I Went Insane and other favorites (2001), Jeffrey Lewis.

do desejo de admiração de Séneca, ou da necessidade de reconhecimento, de Nietzsche

"A primeira coisa que a filosofia nos garante é o senso comum, a humanidade, o espírito de comunidade, coisas de cuja prática nos afastará uma vida demasiado diferente. Deve-mos precaver-nos, não  vão os nossos actos, que desejamos merecedores de admiração, tornar-se antes ridículos e odiosos.
[...] A filosofia exige frugalidade, não suplícios, e a frugalidade não necessita de ser desordenada."

Lúcio Aneu Séneca, Cartas a Lucílio, Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, 2ª edição, Livro I (Cartas 1-12), p.11.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Para lá das colinas



Para lá das colinas (2012), de Cristian Mungiu.

 
"Com a chegada de Alina (Cristiana Flutur), vinda da Alemanha ao mosteiro romeno “para lá das colinas” para buscar a sua amiga, Voichita (Cosmina Stratan), Mungiu enceta uma certa ambição bressoniana que coloca em oposição o amor (expresso pelo corpo) e o sagrado (expresso pela alma). Não deixa de ser curioso que Bresson não tenha trabalhado esta dupla dimensão como conflito, antes como  passagem, talvez sinal de decadentismo: da crença espiritual [Les anges du péché (Os Anjos do Pecado, 1943)], passando pela doença misteriosa da fé com expressão no corpo [Journal d’un curé de campagne (Diário dum Pároco de Aldeia, 1951)], até ao poder da mão em Pickpocket (O Carteirista, 1959); até que prescinde quase desta em detrimento do que ela faz circular: o dinheiro, era o capital (L’argent (O Dinheiro, 1983)]. Seja como for, em Dupa dealuri, essa oposição está viva e é ela que opera a resistência de Voichita a partir com a amiga, querendo manter-se na comunidade sob a protecção espiritual do padre (a quem todas tratam por pai) e, do outro lado, a prova de amor de Alina, que “quer colocar Deus à força dentro dela” para poder ficar com a amiga."
 
O texto é daqui.

sábado, 29 de junho de 2013

um dia também vou a Hamburgo


Pelo menos para ver se vejo esta obra-prima de Friedrich,  Der Wanderer über dem Nebelmeer (1918), no Kunsthalle Hamburg.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

da gigante literatura e d' "O Grande Tédio"

Hans Castorp, em conversa com o sr. Paravant, admirador de números e ainda do mistério de pi, também ele paciente no Berghof, lá na Montanha Mágica:
 
"O infeliz dirigiu-se também a Hans Castorp, uma primeira vez, e depois muitas vezes, porque encontrara neste uma simpatia amistosa pelo mistério do círculo. O promotor demonstrava ao jovem o beco sem saída de «pi», por meio de um desenho muito exacto, onde, com extremo esforço, a circunferência de um círculo estava traçada entre dois polígonos de inúmeros lados minúsculos, um inscrito e outro circunscrito, com o máximo de aproximação a que um homem pode chegar. Porém, o resto, a curva que de um modo etéreo e espiritual se esquivava à racionalização e ao cálculo, este resto - dizia Paravant com a maxila inferior a tremer - este resto era pi! Hans Castorp, apesar de toda a sua afabilidade, mostrava menos interesse por pi do que pelo interlocutor. Disse que aquilo não passava de uma quimera. Aconselhou o sr. Paravant a que não se inflamasse em excesso com aquela busca e, falou-lhe dos pontos de inflexão, sem extensão, de que se compunha o círculo, desde o seu início inexistente até o seu fim que também não existia, bem como da soberba melancolia que se manifestava nessa eternidade, a qual, sem nunca guardar um rumo constante, voltava sempre ao ponto de partida, e falou de tudo isso com uma devoção tão calma que exerceu passageiramente uma certa influência sedativa sobre o sr. Paravant."
 
 
Thomas Mann, A Montanha Mágica, Edição «Livros do Brasil» Lisboa, p. 661.