quarta-feira, 4 de março de 2015

Lola
























Lola (1981), de R.W.Fassbinder.

Quando, a propósito da família, se discute a passagem, na História, de um direito fundamentalmente maternal para um sistema de patriarcado, Marx, errante em tantas das suas previsões, acertou pois quando afirmou «casuística inata nos homens, a de mudar as coisas mudando-lhes os nomes! E achar saídas para romper com a tradição sem sair dela, sempre que um interesse directo dá o impulso suficiente para isso». E assim o são aquelas mulheres e aqueles homens, numa cidade que, nas palavras de Von Bohm, se quer em simultâneo moderna e tradicional; numa sociedade que emerge de um pós-guerra, mas que garante que há vícios - aqui a corrupção política, a submissão da mulher ao homem, aquele que pode exigir fidelidade à mulher que se choca com os distúrbios que certos elementos em manifestação fazem à porta da igreja, mas preservando a sua puta e, no caso, uma bastante cara - a ser impreterivelmente mantidos. Há tudo isso, e depois há Lola.

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