terça-feira, 31 de março de 2015

sem critério

Este blog não tem critério, à excepção, claro está, do seu próprio e imediato apetite. Depois de uma entrevista a Hannah Arendt vem um post com o último álbum de Lamar e sabe-se lá bem o que se seguirá. Este blog claramente não tem critério, linha, direcção e, para pior, este blog gosta (e vai manter-se) assim. 

domingo, 15 de março de 2015

depois de jacques, o fatalista

... fato profugus...
«... em fuga obedecendo ao seu destino...»

Virgílio, Eneida, I, 2, numa tradução de Agostinho da Silva.
A Torre (2015), de Salomé Lamas.



Der Wanderer über dem Nebelmeer (1818), Caspar David Friedrich. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

sábado, 7 de março de 2015

é político




"Shadows", EP The King Of Anxiety (2015), Petite Noir. 

e ainda a propósito do papel do actor

Todo o movimento nos descobre (Montaigne). Mas só nos pode descobrir se for automático (não comandado, não querido). 

Notas Sobre O Cinematógrafo, parte II (1960-1974), Robert Bresson, ed. Porto Editora. 
Se uma imagem, vista separadamente, exprime com nitidez qualquer coisa, se ela comporta uma interpretação, não se transformará em contacto com outras imagens. As outras imagens não terão nenhum poder sobre ela e ela não terá nenhum poder sobre as outras imagens. Nem acção, nem reacção. Ela é definitiva e inutilizável no sistema do cinematógrafo. (Um sistema não regula tudo. É o rastilho de qualquer coisa.)

Notas Sobre O Cinematógrafo, parte I (1950-1958), Robert Bresson, ed. Porto Editora. 

é diferente, a realidade



















Assim se estreia o cartaz do Cineclube FDUP deste semestre, já na próxima Terça. Tudo bem explicado aqui e ali


Robert Bresson is one of the saints of the cinema, and "Au Hasard Balthazar" (1966) is his most heartbreaking prayer. The film follows the life of a donkey from birth to death, while all the time living it the dignity of being itself--a dumb beast, noble in its acceptance of a life over which it has no control. Balthazar is not one of those cartoon animals that can talk and sing and is a human with four legs. Balthazar is a donkey, and it is as simple as that.
(...)
Bresson's most intriguing limitation is to forbid his actors to act. He was known to shoot the same shot 10, 20, even 50 times, until all "acting" was drained from it, and the actors were simply performing the physical actions and speaking the words. There was no room in his cinema for De Niro or Penn. It might seem that the result would be a movie filled with zombies, but quite the contrary: By simplifying performance to the action and the word without permitting inflection or style, Bresson achieves a kind of purity that makes his movies remarkably emotional. The actors portray lives without informing us how to feel about them; forced to decide for ourselves how to feel, forced to empathize, we often have stronger feelings than if the actors were feeling them for us.

Given this philosophy, a donkey becomes the perfect Bresson character. Balthazar makes no attempt to communicate its emotions to us, and it comunicates its physical feelings only in universal terms: Covered with snow, it is cold. Its tail set afire, it is frightened. Eating its dinner, it is content. Overworked, it is exhausted. Returning home, it is relieved to find a familiar place. Although some humans are kind to it and others are cruel, the motives of humans are beyond its understanding, and it accepts what they do because it must. 
(...)


quarta-feira, 4 de março de 2015

m de março, milímetro e martha


















A programação da milímetro em Março é imperdoável. Para toda a informação, aqui.

5 Março
Adeus à linguagem (2014, 70 min.) de Jean-Luc Godard
12 Março
Martha (1974, 116 min.) de R. W. Fassbinder
19 Março
Antes que o diabo saiba que morreste (2007, 120 min.) de Sidney Lumet
26 Março
O Dossier Anderson (1971, 95 min.) de Sidney Lumet

Lola
























Lola (1981), de R.W.Fassbinder.

Quando, a propósito da família, se discute a passagem, na História, de um direito fundamentalmente maternal para um sistema de patriarcado, Marx, errante em tantas das suas previsões, acertou pois quando afirmou «casuística inata nos homens, a de mudar as coisas mudando-lhes os nomes! E achar saídas para romper com a tradição sem sair dela, sempre que um interesse directo dá o impulso suficiente para isso». E assim o são aquelas mulheres e aqueles homens, numa cidade que, nas palavras de Von Bohm, se quer em simultâneo moderna e tradicional; numa sociedade que emerge de um pós-guerra, mas que garante que há vícios - aqui a corrupção política, a submissão da mulher ao homem, aquele que pode exigir fidelidade à mulher que se choca com os distúrbios que certos elementos em manifestação fazem à porta da igreja, mas preservando a sua puta e, no caso, uma bastante cara - a ser impreterivelmente mantidos. Há tudo isso, e depois há Lola.

segunda-feira, 2 de março de 2015