terça-feira, 25 de março de 2014

isto é tudo relativo

De repente, parecemos todos muito eloquentes, quando nos pomos a discutir o sentido que para o caso não importa bem de o quê. Afinal, é tudo relativo. No final da discussão que, bem vistas as coisas, nunca o chega bem a ser, a conclusão é bastante simples - bem mais do que o problema (mas então, problema, qual problema?) -, é relativo. E assim vamos todos embora, cada qual muito satisfeito consigo próprio, que se esforçou por dizer umas quantas coisas, sabe-se lá bem se previamente pensadas ou não - e, na verdade, se tudo é relativo, não será esse detalhe que fará a diferença. Afastamo-nos todos da mesa e daqui limpamos as nossas mãos. Um pensa isto, o outro aqueloutro, aquele ainda aquilo. Mas na verdade poderiam cada um deles pensar outras quaisquer coisas ou ainda não pensar de todo, que não importaria nada. A resposta é e será sempre a mesma, dizendo-a em jeito diplomático, não vamos agora aqui chatearmo-nos: bom, isso é tudo relativo, depende do ponto de vista. - Ah, claro, do meu ponto de vista, claro! O cinema vale todo o mesmo, a literatura, a arte, gostos não se discutem e, Rita, acautela-te lá nas tuas pretensões! Tudo vale o mesmo e o mesmo pode perfeitamente ser nada, dentro de tamanho relativismo que, veja-se bem, só não permite que seja relativo o facto de ser tudo - e isto é ponto bem assente! - relativo.

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