quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"um caso subterrâneo"

"É um homem que, devido à sua terrível clarividência, sinceridade e incapacidade para se harmonizar com o mundo, se vê condenado ao ascetismo".
 
Agustina disse-o sobre Kafka, em Kafkiana. Pergunto-me, no entanto, se não o poderia ter dito de tantos outros de nós. Ou, se quisermos, se não será exactamente devido à imediata identificação entre aquilo que se pronunciou sobre um homem, aquele, assim que retirado do seu contexto inicial, e aquilo que poderia ser pronunciado sobre tantos outros, que Kafka falou, nada mais, nada menos, de todos nós, das nossas inquietações numa realidade caracterizada pela derradeira e incontornável ausência de um Deus.

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