sexta-feira, 10 de maio de 2013

pescando trutas


"Debruçou-se sobre o parapeito, a olhar lá para baixo para a truta que ele já tinha gasto e, de repente, a acrimónia, o conflito, desapareceram das suas vozes, como se também eles achassem que ele tinha de facto pescado o peixe e comprado o cavalo e a carroça, todos três experimentando aquela sensação adulta de se ficar convencido de qualquer coisa por força de uma atitude de serena superioridade. Suponho que as pessoas, à força de se gastarem tanto a si e aos outros pelas palavras, são pelo menos coerentes ao reconhecerem sabedoria numa língua calada (...)".


William Faulkner, O som e a fúria, Publicações Dom Quixote, 6ª edição, 2008, p.113.

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