quinta-feira, 2 de maio de 2013

das pequenas brincadeiras

Depois de ele, na sequência da conversa e em jeito de brincadeira apalermada, enumerar todos os lugares-comuns daquilo que é na generalidade tido por intenso, não esquecendo, pois está claro, o vento, o mar ou somente a leve brisa, erroneamente mencionou o cheiro da relva num dia de chuva.
Como seria de esperar, ela não poderia deixar passar tamanha inexactidão e corrigiu-o: não é da relva de que se fala, mas sim da terra. Do intenso cheiro a terra que paira no ar após uma breve chuvada. Não contente, e como quem brinca mais, ainda que sem roubar uma certa quimera à tentativa de verdade que se esforçava por lhe apresentar, adoptando um assertivo tom, disse : Mas queres que te diga ainda mais? Queres ainda que te diga que o cheiro (d)a terra após a breve e forte chuvada não é somente um cheiro, mas sim um cheiro com cor e ainda com textura? Sim, que lhe podemos tocar. E que se não o fazemos tratar-se-á apenas de uma questão de puro medo de não mais regressar, é isso que queres? Ambos se calaram e, segundos depois, ela sorriu amavelmente, não fosse essa uma amigável retirada de forma a dar continuidade à inicial brincadeira que, no final de contas, nunca o chegara bem a ser.

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