terça-feira, 9 de abril de 2013

Todos têm as suas razões



Ali a partir dos 11 minutos, mais coisa, menos coisa, é que o filme começa. Pelo menos começa a valer. André Jurieux, um aviador que havia feito um voo extraordinário, depois de perceber que a mulher que ama não estava no aeroporto para o receber (e desolado com isso), viaja de carro com Octave (Jean Renoir) - que é também a sua ligação directa com a sua amada -, até que têm um acidente. Uma imagem: o campo, apenas (tentei encontra-la para aqui a deixar, mas em vão). E de seguida surgem eles, em conversa desenfreada.

A questão, pelo menos a mais importante, é: Jurieux, que podia ter assumido, aquando da aterragem, o papel de herói nacional, opta por se lamentar, perante todos e ao microfone, a ausência daquela que ama. Ele, que podia ser, naquele exacto momento, tudo, opta por não ser nada. Como se as pessoas (e o amor) andassem por aí sem rumo, a anularem-se umas às outras; como se ninguém tivesse valor apenas pelo que é. E sublinho: como se. Mas pois está claro: ele ama-a e, tal como ele, outros tantos se amam e se amarão (e deixarão de amar) em linhas cruzadas ao longo do filme. E assim, porque "o pior de tudo na vida é que todos têm as suas razões", e as razões de todos são e serão sempre a mesma, aquela, ninguém ali chega, de facto, a ser alguma coisa.


A Regra do Jogo, Jean Renoir, 1939

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