quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

La folie

 
 
 
 
 


 
 
"Sobre essa loucura convém recordar as palavras e gestos de Chantal Akerman que apresentou o filme há uns dias em Portugal em ante-estreia, a propósito da retrospectiva que o Doclisboa lhe dedica este ano. Pôs a mão na cabeça e levou-a daí ao peito e disse que o cinema devia passar pela cabeça e pelo coração. E que quando foi filmar ao Cambodja se deixou levar pelo espaço e que em muitas situações (em que normalmente filmaria de forma mais rigorosa, com mais takes) quis obter uma certa fluidez que tem a ver com a vida, com o sentido de urgência no aproveitamento do espaço.
(...)
E eis-nos chegado ao passe de mágica de La folie Almayer (A Loucura de Almayer, 2011) ou à conversão da loucura Conrad em loucura Akerman: a natureza nunca é um espaço de agressão (como em Herzog por exemplo) e há antes um dispositivo cinematográfico que permite trabalhar o velado do estado de obsessão. Por um lado, uma irrisão da narrativa que explica (há ao invés um guiar quase sensorial do filme pelas personagens acessórias: os criados mas também a esposa). Por outro lado, a inacessibilidade da loucura (como do amor: quando nos apaixonamos esse objecto é o outro ou a nossa falta?) dada através dos planos longos, de uma certa teatralidade, como se o presente fosse um momento interminável no interior do qual a obsessão gira e para a qual não há libertação aparente."
 
O texto é daqui.

La folie Almayer, Chantal Akerman, 2011

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